quinta-feira, 5 de março de 2009

Ícaro



Não me entendo!
Não me aceito. Gosto muito de mim, dos meus atos, do meu jeito...
Gosto muito dos meus, daqueles que me cercam.
Sinto-me REI e o meu umbigo é o meu trono. Amo, amo sim...
Do meu jeito, mas ninguém me entende!
Estou cheio... Cheio de ouvir, cheio de falar, de comer, de amar...
Pensam que não amo. Estou pouco me lixando pro que pensam de mim.

Quero rir, não tenho medo de gargalhar...
Quero brincar, não tenho medo de magoar...
Quero crescer, não tenho medo de sumir...

Viver porque? Se não posso agir conforme meus atos.
Se sempre há alguém apontando o dedo na minha cara.
Ninguém me entende. Amam-me, mas não aceitam o meu amor...
Pelo menos do meu jeito.

Eu sonho em voar, alçar outros mundos, outras pessoas, outras bocas.
Querem me amar... Mais eu não quero. Sentiria-me sufocado, complicado!
Me deixem, me respeitem, me aceitem como eu sou e não como vocês querem que eu seja. Deixem-me voar... Afinal, se eu cair saberei que foi por causa das minhas decisões e das minhas asas.

♣ Janela da Mamede Coelho ♣


Olha a janela
Vai brincar com ela
Olha a janela
É verde e amarela
Sinta a janela
Chame por ela
Você encontrará nela
O sol e a luz de uma aquarela
Daquelas que você mandava
Me entregar...

Olha a janela
Eu choro com ela
Olha a janela
A moça passa e leva com ela
A linda flor
Que era regada na janela

Olha pra ela
Tão triste, tão só.
E ninguém não tem nada pra dar...
Olha a janela
Talvez seja a última coisa que veja
Talvez ela se feche.
Olha a janela
Enquanto ela ainda vem te amar.

terça-feira, 3 de março de 2009

~ O Santo e o Pecado ~


Não posso! Não devo!
Mais eu quero...
Sinto algo diferente, você me queima, me amarra... Sinto-me sufocado!
Enroscado em seu sentido próprio... “Me vulves loco”, louco por ti, pelo líquido que escorre da sua pele...
Não! Não posso, não é certo. O que será do meu futuro? É errado..
Será errado amar? Será errado desejar?
Você sim!

Quando o vento toca meu rosto, todos os preceitos que aprendi caem feitos os antigos reis da Babilônia.
Meus olhos dilatam-se e meu coração contrai, em ritmo uniforme de tambores...
Não pode! Não dá!
Pode sim... Dá sim...

Sou tão certo... Você tão errado!
O que ser? O que fazer?
Amar ou ser amado?
Por que não pode ser os dois?

Se eu depositar expectativas em você darei um tiro no escuro.
Mas afinal, é necessário... É necessário arriscar, pois nunca saberei tudo. Será?
Como pensar?
Ser SANTO ou PECADO?

domingo, 1 de março de 2009

O ESPELHO


Quem diria?
Você me amando, me beijando...
E eu tendo certeza de que é você quem eu quero.

Por ti fugiria, correria todos os riscos,
renunciaria a lei a ordem.
Tenho certeza. Só amei você! Procurei em tantas pessoas, durante tanto tempo,
Algo que me preenchesse, que me fizesse rir aos sons de tambores e clarins.

Foi no seu colo que descansei.
Foi na sua boca que descobri o gosto...
Você me deu sabor. Fez-me enxergar, fez-me sonhar.
Se sonhei?
Muito... Com todas as estrelas do céu, com todas as gotas de água do oceano.
Você me fez crescer! Mostrou-me a mim mesmo.

Toda a música que ouço é sua, todo o verso que faço é seu, todo ar que respiro, foi você quem, me deu! Isso eu sei. Será que você sabe?
Houve uma época em que você estava ao meu lado toda a noite. A lua vinha me falar de você, fuxicar sobre você. Eu nunca dei ouvido, pois ela tinha inveja do meu amor por ti.
Com o tempo, você não me olhava mais. Suas mãos já não eram do meu corpo. Sua boca já não chamava mais por mim...

A lua... Essa, a única coisa que fez foi me lembrar que já tinha avisado-me.
E eu fiquei só, fiquei pó...
Minh’alma já nua olha pra ti e pergunta o porquê de ter me deixado.
Não culpo a ti. Pois você nunca me disse nada. Nada que quisesse ouvir.
Eu que criei certas esperanças de felicidades... Felicidade? Isso é conversa! Ela não existe. O que existe são apenas os momentos felizes, dos quais você não vive mais aqui.
Só quero que saibas de uma coisa. EU TE AMO!
E você sempre vai ser o meu ESPELHO.